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Direitos do Trabalhador

Como saber se meus cálculos de rescisão estão certos?

Juliana de Souza Campos · 25 de fevereiro de 2026 · 9 min de leitura

Resposta direta

Para conferir o cálculo, compare cada verba do termo de rescisão (saldo de salário, férias, 13º, aviso prévio e FGTS) com o salário e o tempo de casa, e verifique se horas extras habituais foram incluídas na base de cálculo.

Quero falar sobre verbas rescisórias →

Por onde começar a conferência?

O primeiro passo é reunir o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT), os últimos holerites e o extrato do FGTS. É neles que aparecem os valores usados como base para cada verba — e é comparando esses documentos que costumam aparecer as primeiras inconsistências.

Antes dos números, confirme três dados no termo: a data de admissão, a data de saída e o tipo de desligamento. Um erro em qualquer um deles contamina o resto. Se a data de saída estiver errada, mudam o saldo de salário e as frações de férias e de décimo terceiro. Se o motivo estiver errado, por exemplo, pedido de demissão no lugar de dispensa sem justa causa, verbas inteiras somem da conta.

Depois, veja se o termo lista cada parcela separadamente, com nome e valor. A lei exige essa discriminação, e a quitação vale apenas para as parcelas que aparecem ali. Valores agrupados ou genéricos já são um sinal de alerta.

Como fica a conta na prática, com um exemplo?

Imagine alguém admitido em 1º de fevereiro de 2023, com salário fixo de R$ 2.400, dispensado sem justa causa em 20 de julho de 2026, com aviso prévio pago em dinheiro e sem férias vencidas pendentes:

  • Saldo de salário: 20 dias de julho. R$ 2.400 ÷ 30 × 20 = R$ 1.600.
  • Aviso prévio: três anos completos somam 9 dias aos 30 da regra, total de 39 dias. R$ 2.400 ÷ 30 × 39 = R$ 3.120.
  • Décimo terceiro proporcional: com a projeção dos 39 dias de aviso, o contrato vai até o fim de agosto. Agosto tem mais de 15 dias, então contam 8 meses. 8/12 de R$ 2.400 = R$ 1.600.
  • Férias proporcionais com um terço: o período aquisitivo atual começou em 1º de fevereiro de 2026. Com a projeção do aviso, são 6 meses e mais de 14 dias, o que dá 7/12. R$ 1.400 mais um terço (R$ 466,67) = R$ 1.866,67.
  • FGTS: depósito do mês da saída, inclusive sobre o aviso prévio, e multa de 40% sobre todos os depósitos do contrato.

Os números são ilustrativos. No caso real entram médias de horas extras, comissões, adicionais e os descontos. Mas o exemplo mostra onde os erros costumam aparecer: nos dias do aviso, na projeção do aviso sobre décimo terceiro e férias e na fração de férias.

Quais verbas merecem atenção redobrada?

Vale conferir, item a item: se o saldo de salário corresponde exatamente aos dias trabalhados no mês; se as férias proporcionais e vencidas foram calculadas com o terço constitucional; se o 13º proporcional considera todos os meses trabalhados no ano (contando como mês completo qualquer fração igual ou superior a 15 dias); e se o aviso prévio foi pago corretamente, incluindo os dias adicionais a que o trabalhador tem direito conforme o tempo de casa.

As férias vencidas foram pagas em dobro quando deviam?

As férias devem ser concedidas nos doze meses seguintes à aquisição do direito. Se a empresa deixou passar esse prazo sem que você tirasse as férias, elas devem ser pagas em dobro, sempre com o terço. Na rescisão, isso aparece como férias vencidas em dobro.

Confira também o número de dias. Faltas sem justificativa no período aquisitivo podem reduzir as férias: até cinco faltas, são 30 dias; de seis a catorze, 24 dias; e assim por diante. Sem faltas injustificadas, o termo deve trazer 30 dias.

Já as férias proporcionais, pelo entendimento do TST, são devidas em qualquer forma de saída, menos na justa causa, mesmo que o contrato tenha durado menos de um ano. Isso inclui quem pediu demissão.

As horas extras entraram na base de cálculo?

Quando o trabalhador fazia horas extras com habitualidade, esses valores devem integrar a base de cálculo de férias, 13º salário e FGTS — e não apenas ser pagos isoladamente no mês em que ocorreram. A ausência dessa integração é um dos erros mais frequentes encontrados em acertos rescisórios.

Uma forma simples de conferir: veja se as horas extras aparecem em quase todos os holerites dos últimos meses. Se aparecem e o termo usou só o salário da carteira como base das férias, do décimo terceiro e do aviso, provavelmente falta dinheiro. Pelo entendimento do TST, o reflexo considera a média das horas efetivamente feitas, multiplicada pelo valor da hora na data do pagamento. A mesma lógica de conferência vale para comissões e adicionais pagos com frequência.

Quais descontos a empresa pode fazer na rescisão?

Em regra, a empresa só pode descontar adiantamentos e o que estiver previsto em lei ou em norma coletiva. Desconto por dano que você tenha causado só vale se isso foi combinado ou se houve intenção de causar o dano.

Há ainda um limite: no acerto da rescisão, a compensação de valores que a empresa diz que você deve não pode passar de um mês de remuneração. E o desconto do aviso prévio só cabe quando é o trabalhador quem pede demissão e não cumpre o aviso.

O FGTS da rescisão foi recolhido corretamente?

No extrato do FGTS, verifique:

  • Se há depósito em todos os meses do contrato. Mês sem depósito é dinheiro que falta na conta e na base da multa.
  • Se a empresa depositou o FGTS do mês da saída e do mês anterior, quando ainda não recolhidos.
  • Se houve depósito sobre o aviso prévio, inclusive quando pago em dinheiro.
  • Se a multa de 40% foi calculada sobre todos os depósitos do contrato, com correção, e não só sobre o saldo atual.

Se o desligamento foi por acordo entre as partes, a conta muda: a multa cai pela metade, para 20%, o aviso indenizado também cai pela metade, o saque fica limitado a 80% dos depósitos e não há seguro-desemprego.

Qual é o prazo de pagamento e o que acontece se atrasar?

A empresa tem dez dias, contados do fim do contrato, para pagar as verbas e entregar os documentos. Se atrasar, sem que o trabalhador tenha causado a demora, deve pagar multa em favor do empregado no valor de um salário.

E se o caso chegar à Justiça, a parte das verbas sobre a qual não há discussão deve ser paga na data em que a empresa comparecer à Justiça do Trabalho, sob pena de acréscimo de 50%.

Calculadora on-line resolve ou preciso de uma análise técnica?

Calculadoras on-line podem ajudar em uma primeira conferência simples dos valores. No entanto, quando o contrato envolve particularidades — horas extras habituais, comissões, adicionais, ou dúvidas sobre o tipo de desligamento —, uma análise técnica do caso concreto costuma ser o caminho mais seguro para identificar diferenças que uma calculadora genérica não captura.

Assinei o termo. Ainda posso questionar o cálculo?

Em regra, sim. Pelo entendimento do TST, a quitação vale para as parcelas que aparecem no termo, salvo ressalva expressa, e não alcança o que ficou de fora nem os reflexos dessas parcelas. Se você notar o erro antes de assinar, vale escrever no próprio termo a ressalva sobre o valor que contesta.

O prazo também conta: a ação precisa ser proposta em até dois anos depois do fim do contrato e alcança os cinco anos anteriores. Guardar o termo, os holerites e o extrato desde já evita correria depois.

Documentos necessários para a conferência

  • Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT)
  • Últimos 12 holerites
  • Extrato do FGTS atualizado
  • Carteira de trabalho com as anotações do contrato
  • Registros de horas extras habituais, quando houver

Esse tema está diretamente relacionado à área de demissão e verbas rescisórias.

Perguntas frequentes sobre o cálculo da rescisão

Quanto tempo a empresa tem para pagar a rescisão?

Dez dias, contados do fim do contrato, para pagar as verbas e entregar os documentos. O atraso, quando não foi causado pelo trabalhador, gera multa em favor do empregado equivalente a um salário.

Pedi demissão com menos de um ano de empresa. Recebo férias proporcionais?

Sim. Pelo entendimento do TST, quem pede demissão antes de completar doze meses de serviço tem direito às férias proporcionais, com o terço.

O aviso prévio indenizado entra no cálculo do décimo terceiro e das férias?

Em regra, sim. O período do aviso indenizado integra o tempo de serviço e projeta o fim do contrato, o que pode acrescentar avos de décimo terceiro e de férias.

A empresa pode descontar o que quiser da rescisão?

Não. Em regra, só cabem descontos de adiantamentos ou previstos em lei ou em norma coletiva. A compensação no acerto da rescisão não pode passar de um mês de remuneração.

Quanto tempo tenho para questionar o cálculo?

A ação deve ser proposta em até dois anos depois do fim do contrato e alcança os cinco anos anteriores. Passado esse prazo, o direito de cobrar se perde.

A calculadora on-line é suficiente para conferir?

Ajuda numa primeira conferência. Quando há horas extras, comissões, adicionais ou dúvida sobre o tipo de desligamento, a calculadora genérica costuma não captar tudo, e vale uma análise do caso.

Quer conferir o cálculo da sua rescisão?

Envie o Termo de Rescisão (TRCT) e o extrato do FGTS pelo WhatsApp para uma análise do seu caso.

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Fontes consultadas
Juliana Campos, advogada trabalhista

Juliana de Souza Campos

OAB/SP nº 202.129

Advogada com mais de 20 anos de experiência. Desde 2016, dedica-se exclusivamente a representar trabalhadores em causas como rescisões, assédio, acidentes de trabalho e demais demandas trabalhistas.

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Este conteúdo é disponibilizado em conformidade com o Provimento nº 205/2021 da OAB. Possui caráter exclusivamente informativo e educativo, não representando promessa ou garantia de resultado. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Cálculo da rescisão: o que vale no seu caso?

Este conteúdo é informativo. Para entender como a lei se aplica ao seu caso específico, fale diretamente com a Dra. Juliana.